França

Para contar a história da França é preciso viajar para bem longe, no passado, mais precisamente há cerca de 25.000 a.C., na época do Paleolítico, mais conhecida como a Idade da Pedra. Foi no vale do Dordonha que foram encontrados os primeiros indícios de humanos na região que hoje conhecemos como França. Eram nômades, ou seja, se deslocavam com frequência e exerciam a atividade de caçadores.

Depois, na época do Neolítico, ou melhor, do Período da Pedra Nova ou Pedra Polida, lá entre os anos 12.000 e o 4.000 a.C., os humanos se iniciaram na agricultura. Na França, eles se concentraram próximos aos vales de quatro rios: Dordonha, Loire, Ródano e o Sena.

Passeando mais um pouco pelo passado da França descobre-se que os povos célticos, os gregos e os romanos também andaram pelo território francês. Os celtas se concentraram na área mais ao norte, lá pelo ano 450 a.C., enquanto que os gregos preferiram a zona mediterrânea nos idos de 600 a.C., na região da Córsica (ilha de Córsega) e da Massilia (hoje, Marselha). Já os romanos estenderam o seu domínio na região da Gália, a partir de 121 a.C. No entanto, a consolidação do poder romano sobre os gauleses foi conseguido com o general Júlio César entre 58 e 51 a.C. Não sem antes lutar contra os gauleses, comandados pelo chefe gaulês Vercingetórix. A influência romana foi tanta que o latim acabou sendo adotado como língua local. Nascia ali o que se chamou de civilização gálico-romana.

Os povos bárbaros germânicos também fazem parte da história da França. Visigodos, ostrogodos, burúndios e francos invadiram o país. Isso ocorreu entre os anos de 406 e 420 d.C. Mas, se os povos bárbaros tomaram de “assalto” a cidade de Lutetia, posteriormente, foram os francos que expulsaram os hunos do local, que eram liderados por Átila, o rei dos hunos (governou o império europeu da Europa Central até o Mar Negro). Mais tarde, a região foi rebatizada de Paris.

Clóvis ou Clodoveo foi o primeiro rei dos Francos, da dinastia Merovíngia. Ele é considerado o fundador da França. Também faz parte da história da França a liderança de Carlos Magno, que conseguiu ampliar as fronteiras do país. No ano de 800 d.C., ele foi Coroado Imperador do Ocidente, em Roma, pelo Papa Leão III. Carlos Magno também teve importância ao combater o avanço dos árabes na região, apesar de ter sido derrotado.

Após a morte de Carlos Magno, o império franco se dividiu: na parte leste (oriental) ficou o que se conhece hoje como a Alemanha, e na parte oeste (ocidental), a França.

Em 987 d.C., teve início a dinastia dos Capetos, após a eleição de Hugo Capeto como rei da França. Foi ele quem instaurou a hereditariedade monárquica.

Durante os séculos XIV e XV, a França se viu numa série de conflitos, guerras envolvendo o país e a Inglaterra. A Guerra dos Cem Anos, como ficou conhecida, durou entre os anos de 1337 a 1453 (na verdade o conflito durou 106, mas arredondou-se para 100).

Depois de lutar contra os ingleses, os franceses iniciaram uma guerra contra a Itália. Eles reclamavam o reino de Nápoles e o ducado de Milão. Mais um século e meio de lutas e batalhas. O conflito ocorreu na década de 1500.

Um dos grandes acontecimentos da história da França foi, sem dúvida, a Revolução Francesa. Foi quando a sociedade francesa se revoltou contra a monarquia, e resolveu dar um basta nas mordomias e privilégios que tinham o clero e a nobreza. Eles, por exemplo, não pagavam impostos e eram sustentados pelo chamado Terceiro Estado, formado pelos trabalhadores urbanos, camponeses e a pequena burguesia, que eram obrigados a sustentar o luxo da nobreza através do seu trabalho e do pagamento de impostos.

Outra questão que incomodava os franceses é que não havia democracia. A França era governada por um rei (o primeiro rei Bourbon foi Henrique IV, de 1598) que tinha poderes absolutos sobre todos os setores. Já os trabalhadores, por exemplo, eram impedidos de votar e nem podiam se manifestar sobre os rumos do governo. E quem era da oposição, ou era preso ou era condenado à morte.

Em meio a tanto descontentamento, a situação na França só piorava, e a revolta só aumentava. A injustiça social incomodava e a insatisfação popular crescia. O povo queria participar das decisões do governo, mas não podia. Chegava a hora de fazer alguma coisa. Foi munido desse espírito de revolta que o povo decidiu ir às ruas para tomar o poder. Na época, o monarca era o rei Luís XVI. Com o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, os revolucionários tomaram a Bastilha (a prisão política da monarquia) em 14 de julho de 1789.

Muitas mudanças ocorreram após a Queda da Bastilha. Enquanto muitos nobres deixaram a França, a família real não teve a mesma sorte. Após serem capturados e presos enquanto tentavam fugir, o rei Luís XVI e sua esposa Maria Antonieta foram guilhotinados em 1793. Já os bens da Igreja foram confiscados.

Com a instauração de uma Assembleia Constituinte, em agosto de 1789, o povo conquistou mais direitos, e após a promulgação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, foi estabelecida a igualdade civil na França. Outra conquista foi a abolição do regime feudal.

A tentativa de instaurar uma monarquia constitucional através de uma Assembleia Legislativa (1791-1792) fracassou. Como consequência, houve a queda da realeza.

A França passou por um processo de instabilidade. Dois grupos lutavam pelo poder: os girondinos, que representavam a alta burguesia, e os jacobinos, representantes da baixa burguesia. Enquanto que o primeiro grupo não queria que trabalhadores urbanos e rurais tivessem maior participação na política, o segundo grupo defendia justamente o contrário, ou seja, uma maior participação popular no governo.

Depois de um período de violência e radicalização, os girondinos assumiram o poder. Após o Golpe de 18 de Brumário (9 de novembro de 1799), foi instalado um governo burguês, cujo principal representante foi o general francês Napoleão Bonaparte. Começava, assim, a chamada Era Napoleônica na França.

A queda da monarquia marcou o período da Primeira República (1792-1804). No poder desde 1799, Napoleão Bonaparte foi coroado Imperador da França em 1804. Começava, assim, o Primeiro Império (1804-1814), período em que o Imperador Napoleão I ficou no poder.

As chamadas guerras napoleônicas marcaram o governo de Napoleão Bonaparte. Foram muitas. Ele tentou atacar a Inglaterra, mas não obteve sucesso. Porém, investiu contra a Áustria, Prússia, Rússia, Portugal (provocando a fuga da família real portuguesa para o Brasil) e Espanha.

As sucessivas guerras e seus gastos, o aumento dos impostos, a queda nos lucros da burguesia, o recrutamento de militares, entre outros fatores, fizeram com que a popularidade de Napoleão Bonaparte caísse vertiginosamente, transformando em impopular o seu governo.

A derrota do Império Napoleônico veio na Batalha de Leipzig, na Alemanha, quando os exércitos da Rússia, Prússia, Áustria e Suécia decidiram atacar o exército francês. Em 1814, Napoleão Bonaparte abdicou do trono e foi exilado na ilha de Elba, na Itália. Os Bourbons voltaram ao trono, com Luís XVIII (1814-1824) e Carlos X (1824-1830), e as antigas fronteiras da França demarcadas em 1792 foram restabelecidas.

O exílio de Napoleão Bonaparte não durou muito. Ele escapou da ilha e tentou restabelecer o seu Império em 1815, quando voltou para a França. Com a fuga do rei Luís XVIII, Napoleão retomou o poder. Mas, não por muito tempo. Foram exatos Cem Dias no poder até que Napoleão foi derrotado na Batalha de Waterloo, em junho de 1815, na Bélgica. Novamente exilado, Napoleão Bonaparte morreu, em 1821, na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul.

A monarquia durou até a abdicação de Luís Filipe (1848). Posteriormente, foi implantada a Segunda República, que durou até 1852. Em seguida, foi proclamado o Segundo Império (1852-1870), com a chegada de Napoleão III ao poder. Nesse período, a França expandiu o seu território para o sudeste da Ásia e o norte da África.

A Terceira República (1870-1940) foi instalada após o fim do Segundo Império, quando Napoleão III foi capturado e os franceses foram derrotados na guerra franco-prussiana. Em 1879 foram realizadas eleições, porém a estabilidade na França só foi obtida em 1899.

Em 1914, a França, que vivia um bom momento, tanto econômico quanto social, viu-se envolvida na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Quatro anos de guerra resultaram numa França duramente castigada. No entanto, a França resistiu aos ataques alemães.

O restabelecimento da economia francesa se deu a partir de 1928, porém o país foi afetado pela crise econômica de 1929, nos Estados Unidos.

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mais uma vez a França é atacada. As consequências desta vez são piores. A Terceira República caiu em maio de 1940, e após a derrota para a Alemanha de Hitler, o norte da França foi ocupado pelos alemães e o presidente Albert Lebrun foi destituído.

A França foi dividida em duas partes: uma era controlada pelos alemães, enquanto na região da França não-ocupada, quem liderava era o marechal Philippe Pétain, cujo governo de Vicky (capital do governo na cidade a sudeste de Paris) colaborava com os alemães.

Mas, como enfrentar os alemães? A solução foi proclamar um governo da França Livre em Londres, e liderar a resistência francesa. O general Charles de Gaulle foi quem esteve à frente do movimento. A primeira decisão foi instaurar um comitê francês de libertação nacional em Argel, na Argélia, em 3 de junho de 1944, ou seja, um governo provisório da República Francesa. Três dias depois, os Aliados desembarcaram na Normandia, avançando em direção a Paris. Em 25 de agosto deste ano, Paris era libertada, e o governo provisório, sob o comando de De Gaulle, era instalado. O Governo Provisório da França durou até 1947, mas De Gaulle já havia pedido demissão no ano anterior por não concordar com a maioria da primeira Assembleia Constituinte.

A Quarta República francesa estabeleceu-se com a chegada de Vincent Auriol à presidência. Porém, a instabilidade política juntamente com conflitos em países sob o domínio francês na África provocaram uma crise governamental. Estava aberta a porta para a volta de Charles de Gaulle, que foi chamado à presidência do Conselho em 1º de junho de 1958. Começava ali a Quinta República, vigente até os dias atuais.

A França ainda passou por um período de guerras com suas colônias na África e no sudeste asiático, levando à descolonização da Indochina (1954) e da Argélia (1962), assim como de outros países na África.

Hoje, a França é um dos países-membros da União Europeia.

Confira os monumentos da França:

Torre Eiffel
Arco do Triunfo
Museu d´Orsay
Museu Rodin
Centro Nacional de Arte e Cultura Georges-Pompidou

Localização: Continente europeu
Capital: Paris
Idioma: Francês
Moeda: Euro
Sistema de Governo: República Semipresidencialista (Presidente da República + Primeiro-Ministro) ou República Francesa
Área: 543.965 km²
Principais Cidades: Paris, Nice, Lille, Toulon, Lyon, Cannes, Marselha, Montpellier, Nantes, Versalhes, Toulouse
Número da população francesa (2015): 66.772.598 (Fonte: Country Meters)
Países de fronteira com a França: Bélgica, Luxemburgo (norte), Alemanha (nordeste), Suíça, Itália (leste), Espanha (sul) Mônaco e Andorra.
Código telefônico internacional: + 33
Sufixo de internet: .fr

À título de curiosidade, algumas expressões em francês:

Bonjour – Bom dia
Bonsoir – Boa noite
Bonne nuit – Boa noite (antes de dormir)

Salut – Oi/Olá/
Au revoir – Até a vista!

S’il vous plaît / S’il te plaît – Por favor (formal/informal)
Merci (beaucoup) – Obrigado/a (Muito obrigado/a)

De rien – De nada
Je vous en prie. – De nada (formal) / vá em frente.

Bienvenu(e) – Bem vindo/a!
Allons-y! – Vamos!

A tout à l’heure – Até breve!
A plus tard – Até mais tarde
A bientôt – Até logo
A demain – Até amanhã

Je suis désolé(e) – Desculpe-me
Pardon! – Perdão!
Excusez-moi! – Perdoe-me!

Comment allez-vous? – Como vai você? (formal)
Je vais bien – Eu vou bem
Très bien / mal / – Muito bem/mal

Ça va ? – Tudo bem? (informal)
Ça va. – Tudo bem. (informal resposta para Ça va ?)

Oui / non – Sim/não
Enchanté(e) – Muito Prazer!

Monsieur, Madame, Mademoiselle – Senhor/senhora/senhorita
Mesdames et Messieurs – Senhoras e senhores