Museu Casa de Cora Coralina

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Cora Coralina é o pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto, uma das grandes poetisas brasileiras e uma das maiores escritores do século XX. Apesar de ter começado a escrever aos 14 anos (seus primeiros textos foram publicados nos jornais da cidade de Goiás e região) e nunca mais ter parado, ela somente publicou o seu primeiro livro “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais” em junho de 1965. Tinha quase 76 anos de idade. Aliás, foi aos 14 anos que Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (acrescentou o Bretas ao sobrenome após o casamento) criou o pseudônimo de Cora Coralina, que, segundo ela, significava “coração vermelho”.

Nascida no dia 20 de Agosto de 1889, Cora era uma mulher de hábitos simples e isso pode ser confirmado ao se visitar o Museu Casa de Cora Coralina, localizado na cidade de Goiás, e inaugurado em 1989, às margens do Rio Vermelho. No entanto, ela primeiramente ficou famosa por ser uma doceira de mão cheia. Seus doces cristalizados eram famosos. Tanto isso é verdade que o passeio pela Casa Museu de Cora Coralina começa justamente pela cozinha, onde estão os tachos de cobre que Cora usava para fazer doces (laranja, mamão, sidra, abóbora, figo, batata). Aliás, ela dizia que era mais doceira do que poetisa, que sua profissão por vocação e necessidade era ser doceira. E que era poeta por acaso.

A simplicidade esteve sempre presente em toda a vida de Cora Coralina. O segredo de sua escrita talvez esteja no fato de ela ter morado longe dos centros urbanos. Ao viver numa cidade mais pacata, tranquila, ela pôde se concentrar no que acontecia à sua volta e, assim, transpor para a escrita os elementos do dia a dia do interior, sua gente, seus hábitos, sua alma e os fatos de sua própria vida. Pode-se dizer que a cidade de Goiás e sua gente foram as grandes homenageadas na poesia de Cora Coralina.

O casarão branco de janelas retangulares, com as bordas em madeira, também conhecido como “Casa Velha da Ponte”, é uma edificação do século XVIII construída para o recolhimento do Quinto Real ou Quinto do Ouro (pagamento que a coroa portuguesa recebia pela extração do ouro no Brasil) na região. No início do século XIX, a casa foi adquirida pela família de Cora. A poetisa viveu no casarão desde o seu nascimento até o dia em que foi embora para São Paulo, em 1911, fugindo de Goiás com o seu companheiro, o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas, que era casado, mas não vivia com a esposa. Os dois somente oficializaram a união em 1925. Quando ficou viúva, e após 45 anos longe de casa, Cora deixou sua família para trás, filhos e netos, e voltou para a sua terra, em 1956. Voltou a ser doceira, mas continuou escrevendo. Ela morreu na “Casa Velha da Ponte” em 10 de Abril de 1985, aos 95 anos.

Quando os visitantes chegam ao casarão, monitores os conduzem a uma viagem pela simplicidade, o olhar apurado, o universo e a beleza da escrita de Cora Coralina. Eles entram em contato com a história da poetisa através de um painel que conta a sua trajetória cronologicamente, desde o seu nascimento até a sua morte. O painel destaca ainda a comemoração dos seus 120 anos de nascimento, completados em 2009.

Em cada canto dos cômodos da casa feita com paredes de pau a pique, ou seja, de argila e barro, em estilo da arquitetura colonial brasileira, sente-se a presença de Cora Coralina. Está lá o quarto da poetisa, lugar onde ela nasceu, sua cama, suas roupas penduradas na parede e os chinelos ao pé da cama, imagens religiosas em cima de uma mesa e uma máquina de costura. Um armário e as malas que ela trouxe na viagem de volta de São Paulo a Goiás também estão lá, assim como um baú em couro pertencente a sua mãe Jacinta Luísa do Couto Brandão, de 1881. Na janela, um busto de Cora observando a cidade de Goiás nos lembra que dali mesmo ela podia acompanhar com olhar apurado o vai e vem de sua gente, seus hábitos e costumes, e assim, incluí-los em seus poemas.

Na sala da escrita, uma velha máquina de escrever (Olivetti) revela que, após cursar somente até a terceira série do primário (atualmente ensino fundamental), a escritora fez apenas um único curso: o de datilografia, e aos 70 anos. Isto porque a editora José Olympio que iria publicar o seu primeiro livro exigiu que ele fosse entregue datilografado, e não na forma manuscrita. Na parede, trechos de seus escritos dos livros “Poemas dos Becos de Goiás”, “Vintém de Cobre” e “Estórias da Casa Velha da Ponte”. É possível observar ainda um prato de porcelana chinesa pertencente a um aparelho de jantar antigo de sua bisavó, com 92 peças, ao qual Cora Coralina dedicou o poema “O Prato Azul-Pombinho”. O texto foi publicado em seu primeiro livro e uma cópia do poema encontra-se ao lado do prato remanescente.

Na sala das condecorações, o visitante fica sabendo que após os seus 90 anos, Cora Coralina começou a colecionar prêmios. Uma das homenagens que a poetisa recebeu em vida foi o título de Dra. Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás, em 1983. O traje a rigor usado por ela durante a cerimônia está exposto nesta sala. Em uma vitrine, os visitantes podem conferir diversas medalhas recebidas por Cora em vida. Um dos destaques é a Ordem do Mérito do Trabalho, do Ministério do Trabalho. Após a sua morte, Cora Coralina foi homenageada com a Ordem do Mérito da Cultura, do Ministério da Cultural, em 1996. Cora Coralina recebeu ainda o troféu Juca Pato concedido pela União Brasileira de Escritores de São Paulo. A poetisa foi a primeira escritora brasileira a conquistar este prêmio. Outro importante reconhecimento de sua obra veio com o recebimento do Prêmio Jaburu oferecido pelo Conselho Estadual de Cultura de Goiânia.

Uma das preciosidades que faz parte do acervo do Museu Casa de Cora Coralina é a carta original que o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade enviou a Cora, em 1979, com os seguintes dizeres: “Ah, você me dá saudades de Minas, tão irmã do seu Goiás. Dá alegria na gente saber que existe bem no coração do Brasil um ser chamado Cora Coralina. Todo carinho, toda a admiração do seu Carlos Drummond de Andrade”. Aliás, para quem não sabe foi o escritor Carlos Drummond de Andrade quem descobriu Cora Coralina. Ele ficou encantado quando leu o livro “Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais” cerca de dez anos após o lançamento do mesmo. Foi Carlos Drummond de Andrade quem deu visibilidade ao trabalho de Cora em todo o Brasil através de um texto escrito em um importante jornal de São Paulo.

Em outra sala, o visitante irá se deparar com cartas, objetos pessoais, manuscritos de livros, cadernos com os originais de suas obras e até a primeira edição do livro “Vintém de Cobre”. A certidão de casamento também está exposta no Museu Casa. Fotos com personalidades como o escritor Jorge Amado e a atriz e escritora Bruna Lombardi estão espalhadas pela casa. Passeando pela biblioteca, é possível conhecer os livros reunidos por Cora Coralina de autores brasileiros e de amigos que a visitavam.

Em outra sala, o visitante irá se deparar com cartas, objetos pessoais, manuscritos de livros, cadernos com os originais de suas obras e até a primeira edição do livro “Vintém de Cobre”. A certidão de casamento também está exposta no Museu Casa. Fotos com personalidades como o escritor Jorge Amado e a atriz e escritora Bruna Lombardi estão espalhadas pela casa. Passeando pela biblioteca, é possível conhecer os livros reunidos por Cora Coralina de autores brasileiros e de amigos que a visitavam.

Na varanda da casa, em destaque está uma foto de quando Cora Coralina quebrou o fêmur após uma queda na cozinha em 1974 e passou a andar de muletas. Ela está sentada numa velha poltrona marrom, lendo. A mesma poltrona da foto está lá, no mesmo lugar onde Cora costumava ler, escrever ou declamar poesias. Também pode ser vista em uma das paredes, a foto de seu pai já morto (pode parecer estranho, mas na época era comum fotografar pessoas mortas), a do Padre Cícero e do bando de Lampião (uma homenagem ao pai nordestino).

Ao visitar a casa, na sala dos amigos, o turista também descobre a existência de dois personagens importantes na vida de Cora: Maria da Purificação, mais conhecida como Maria Grampinho. Ela era uma andarilha que andava pela cidade carregando uma trouxa com as poucas roupas que ela tinha (em exposição na casa). Cora lhe dedicou um poema e permitia que ela dormisse no porão da casa. Outro personagem era o sr. Tomé, jardineiro e caseiro que trabalhou com Cora por mais de 50 anos desde quando ela morava no interior de São Paulo. Nas paredes desta sala, um painel revela um pouco mais sobre a relação de Cora Coralina com Maria Grampinho e o sr. Tomé. Aliás, o visitante pode conhecer o poema que Cora escreveu em homenagem a Maria Grampinho.

No porão onde Maria Grampinho dormia, encontra-se uma bica de água potável, que vem de uma fonte de cima do morro e passa debaixo da Igreja do Rosário. Os turistas não perdem a chance para encherem suas garrafas. Já nos fundos da casa há um agradável jardim com flores, árvores frutíferas e horta.

Essa é um pouco da história da poetisa Cora Coralina. Vá até Goiás, visite o Museu Casa de Cora Coralina e descubra outros segredos da escritora. Vale a pena.

Horário de Funcionamento:
Terça a sábado
9h às 16h45

Domingos e feriados
9h às 15h

Preço do Ingresso:
Gratuito

Como chegar:
A cidade de Goiás fica a 140km de Goiânia. Para chegar ao Museu Casa de Cora Coralina é preciso pegar a rodovia estadual GO-164, entrar na Avenida Sebastião Fleury Curado e virar à direita na rua Dom Cândido.

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